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GASTRONOMIA - 23/10/2009 - 12:00:00

Após 18 anos, era Max Mosley chega ao fim na FIA
GloboEsporte.com

A eleição de Jean Todt, ex-chefe da Ferrari, como novo presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), encerra uma era de 18 anos sob o comando do inglês Max Mosley, período em que foram feitos muitos avanços na segurança da Fórmula 1, mas também marcado por escândalos. Eleito para o lugar do francês Jean-Marie Balestre em 1991, ainda na antiga Fisa, com o apoio de Bernie Ecclestone, dono dos direitos comerciais da categoria, o dirigente inglês não mudou a forma de trabalho do antecessor: comandou a FIA com mão de ferro e centralizou as decisões.

Os primeiros anos de mandato de Mosley foram marcados por tragédias, ambas no GP de San Marino de 1994. Após as mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, o dirigente iniciou uma cruzada por mais segurança na Fórmula 1. Os carros atuais são muito mais seguros que os de 15 anos atrás, mas esta busca acabou criando outro problema: as ultrapassagens na categoria rarearam, causando insatisfação do torcedor ao redor do mundo.

As decisões políticas do mandato de Mosley causaram muitas polêmicas. O caso Benetton, em 1994, foi um dos maiores exemplos disso. Com um carro notadamente fora do regulamento, a equipe lucrou com a complacência da FIA. Contudo, após a morte de Senna, Michael Schumacher começou a disparar no campeonato e a entidade aplicou punições para "fabricar" uma decisão de campeonato na Austrália. O alemão acabou jogando o carro em cima de Damon Hill, da Williams, e sagrou-se campeão em uma das manobras mais questionadas na história da Fórmula 1.

A Ferrari também lucrou com privilégios na gestão Max Mosley. A equipe italiana, liderada por Michael Schumacher nas pistas e Jean Todt nos boxes, tomou várias decisões polêmicas ao longo destes anos, sempre chanceladas pela presidência da FIA. A proteção era tamanha que os fãs da categoria deram o apelido de "Fiarrari" à entidade no período. O maior exemplo disso foi em 1999, no GP da Malásia, penúltima corrida da temporada, quando os carros italianos estavam fora do regulamento (com defletores laterais maiores que o permitido) e foram desclassificados. Em uma decisão do Conselho Mundial da FIA, a decisão foi revogada e Eddie Irvine pode disputar o título contra Mika Hakkinen no GP do Japão, em Suzuka - acabou sendo derrotado na pista.

O fim do mandato de Mosley foi marcado por vários escândalos. Em junho de 2007, a FIA recebeu a denúncia de que a McLaren estaria com dados confidenciais da Ferrari, passados pelo ex-diretor técnico da equipe italiana Nigel Stepney ao projetista-chefe da equipe inglesa Mike Coughlan. Em um primeiro momento, a McLaren escapou de punição por falta de provas, mas teve a decisão reconsiderada após o surgimento de e-mails trocados por Fernando Alonso e o piloto de testes, Pedro de la Rosa, que mostravam o envolvimento de Stepney. Como punição, a McLaren foi multada em US$ 100 milhões e ainda foi eliminada do Mundial de Construtores de 2007.

Até sua vida pessoal esteve em cartaz no início do ano passado, quando foi flagrado em uma orgia sadomasoquista com cinco prostitutas. A festinha foi revelada pelo tabloide inglês "News of the World", que afirmou também que algumas delas vestiam uniformes semelhantes aos usados em campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial. No vídeo, Mosley é recebido em uma sala por uma mulher vestida como guarda.

Max é filho de Sir Oswald Mosley, fundador da União Britânica de Fascistas e suposto amigo de Adolf Hitler. No entanto, após uma batalha judicial, ele ganhou uma indenização pelas insinuações de nazismo, negadas pelo dirigente.

Após rumores de que Ron Dennis, Flavio Briatore e Luca di Montezemolo estariam envolvidos na divulgação do vídeo, Mosley iniciou uma batalha por vingança. A primeira vítima foi o ex-chefe da McLaren, forçado a sair da Fórmula 1 após o caso das mentiras da equipe no GP da Austrália de 2009, quando Lewis Hamilton negou que tivesse recebido ordens do time para ceder a posição a Jarno Trulli em uma bandeira amarela. Ele e a equipe foram punidos exemplarmente.

A segunda parte da vingança ocorreu no meio deste ano. Mosley bateu o pé e instituiu um limite orçamentário para a temporada 2010, medida amplamente rejeitada pelas equipes, o que poderia fazer com que a Fórmula 1 tivesse duas classes dentro dela, dividida entre os times que aceitaram o teto e os que rejeitaram. Após muita polêmica e até a ameaça de um racha, com a criação de uma categoria paralela, as duas partes chegaram a um acordo. Contudo, a Associação das equipes, liderada por Montezemolo, saiu perdendo, pois queria assumir o controle da F-1.

A revelação do "Cingapuragate" foi a última parte de vingança orquestrada por Mosley. Com imunidade prometida pela FIA, Nelsinho Piquet confessou ter batido de propósito no GP de Cingapura de 2008 e, assim, beneficiou Fernando Alonso, que venceu a corrida. Como Flavio Briatore se negou a admitir sua culpa, o Conselho Mundial acabou por banir o dirigente do automobilismo, além de suspender Pat Symonds, diretor de engenharia do time, por cinco anos. Os pilotos escaparam ilesos e a Renault recebeu uma punição de dois anos, mas com sursis. Ou seja, só cumprirá a pena se for reincidente.

Com a eleição de Jean Todt, candidato apoiado por Mosley, a forma de a FIA ser comandada deve permanecer inalterada. O dirigente já mostrou em seu tempo de Ferrari que também gosta de ser centralizador nas decisões. A equipe italiana, no período de comando do francês, ficou conhecida pelo jogo de equipe, escancarado ao mundo no GP da Áustria de 2001, quando Rubens Barrichello parou o carro na linha de chegada para que Michael Schumacher vencesse a prova.

Fonte: O Popular


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