G1
O presidente americano, Barack Obama, defendeu nesta segunda-feira (16), em sua viagem à China, o acesso livre à internet e a liberdade de expressão no país.
Obama afirmou que acredita que "quanto mais a informação corre livre, mais forte fica a sociedade, pois os cidadãos dos países pelo mundo podem manter a cobrança sobre seus governos", disse o presidente em um evento de estudantes em Xangai poucas horas antes do encontro com o presidente Hu Jintao.
Obama tentou achar um equilíbrio político em seu discurso, com palavras de cooperação, elogios e humildade. Ele evitou citar questões polêmicas como a do Tibete.
Segundo ele, os problemas globais não podem ser resolvidos se as potências mundiais não trabalharem juntas. E insistiu: "nós não queremos conter o crescimento da China."
Obama deixa o avião em sua chegada à Pequim (Foto: Jason Lee/Reuters)"Nós não queremos impor nenhum sistema de governo a nenhuma nação", disse Obama. Ele também afirmou que o acesso livre à informação não é um princípio americano, mas um "direito universal".
"Eu sou um grande apoiador da não-censura. Reconheço que diferentes países têm diferentes tradições. Posso dizer que nos EUA, o fato de termos internet livre - ou irrestrito acesso a ela - é uma fonte de força e eu acho que isso deveria ser encorajado."
Taiwan
O presidente dos Estados Unidos manifestou satisfação com o melhor estado das relações entre China e Taiwan, ao destacar que Washington não precisa mudar sua política de "uma só China". "Minha administração apoia plenamente a política de uma só China", declarou Obama.
"Nós não queremos mudar esta política nem este enfoque. Estou muito satisfeito com a redução das tensões e a melhora nas relações através do Estreito de Taiwan". "Os vínculos econômicos e comerciais nesta região ajudam a diminuir as tensões", completou o presidente americano, antes de destacar um "profundo desejo" de ver o prosseguimento da aproximação entre as duas partes.
China e Taiwan se separaram ao fim da guerra civil, em 1949, e desde então têm governos separados. Pequim considera que a ilha faz parte de seu território, à espera de uma reunificação. As relações melhoraram consideravelmente desde que Ma Ying-jeou, partidário de estreitar os vínculos com a China, assumiu a presidência em 2008.
Comércio equilibrado
Obama negou que tenha a intenção de conter a China e defendeu um comércio mais equilibrado entre as duas potências.
"Não buscamos conter a ascensão da China", disse Obama. "Pelo contrário, saudamos a China como um membro forte, próspero e bem-sucedido da comunidade de nações."
A respeito da questão cambial e comercial, Obama lembrou que desde o estabelecimento de relações diplomáticas entre EUA e China, em 1979, o volume de comércio bilateral aumentou várias vezes, superando US$ 400 bilhões por ano.
Mas empresários dos EUA reclamam da desvalorização excessiva do iuan, que facilita as exportações chinesas e dificulta o acesso ao mercado desse país. Obama afirmou em Xangai que o comércio bilateral "poderia criar ainda mais empregos em ambos os lados do Pacífico... Conforme a demanda se torne mais equilibrada ela poderá levar a ainda mais prosperidade."
No fim de semana, durante uma cúpula em Cingapura, Hu ignorou ostensivamente os apelos internacionais pela revalorização do iuan. Ele e outros dirigentes chineses têm acusado outros países --implicitamente incluindo os EUA-- de praticar um nocivo protecionismo contra os produtos chineses.
Fonte: O Popular