O Globo
Com superlotação, numa sala do Teatro Nacional de Brasília, a Villa-lobos, com capacidade para mais de 1.400 pessoas, a pré-estreia do filme "Lula, o filho do Brasil" foi marcada por muito tumulto, além da ausência do presidente Lula, representado por sua mulher, a primeira-dama Marisa Letícia.
Autoridades e convidados especiais se acotovelavam pelos corredores e se amontoavam pelas escadas do teatro. O produtor Luiz Calos Barreto chegou a apelar, antes da exibição, que as pessoas que ocupavam espaços fora das poltronas saíssem, alegando que havia ali um perigo para todos. Prometeu fazer outra sessão, em seguida para esse grupo, mas não foi atendido. Pelo contrário, foi vaiado.
Também antes da exibição, o diretor Paulo Barreto ocupou o microfone para reclamar da confusão, dizendo ser um absurdo o fato de não terem sido reservados lugares para o elenco e produção do filme. Depois de muita confusão, conseguiu-se alojar Glória Pires, que interpreta a mãe de Lula, dona Lindu, ao lado de dona Marisa Letícia, que foi acompanhada apenas de duas auxiliares.
- Isso aqui (com gente nas escadas) vira um perido de vida. E não é culpa nossa nem da Presidência da República - disse Luiz Carlos Barreto, culpando a organização do 42º Festival de Cinema de Brasília, a Secretaria de Cultura do governo do Distrito Federal.
Em meio à confusão instalada, um grupo de manifestantes, com tranquilidade, estendeu no palco uma faixa com a inscrição "Lula, liberte Cesare", em defesa da não extradição do ativista italiano Cesare Battisti.
Na plateia, ministros do governo e de tribunais, embaixadores e parlamentares. Sem a presença de Lula também se ausentaram as grandes estrelas da política. A ministra presidenciável Dilma Rousseff (Casa Civil) ainda estava na Dinamarca nesta terça-feira, e os presidentes da Câmara e do Senado, Michel Temer (PMDB-SP) e José Sarney (PMDB-AP), não chegaram a ser vistos em meio ao tumulto.
Entre os ministros presentes estavam Carlso Lupi (Trabalho), Márcio Fortes (Cidades), Paulo Bernardo (Planejamento), Fernando Haddad (Educação), José Pimentel (Previdência), Orlando Silva (Esportes) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais). O mais novo ministro do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, fez questão de ir cumprimentar dona Marisa.
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), também não foi visto. Estava lá o vice-governador Paulo Otávio (DEM). O deputado petista Geraldo Magela (DF) chegou atrasado e foi barrado na sala já lotada. Apelou, apelou e conseguiu entrar.
A previsão é que o presidente Lula deve assistir ao filme sobre sua vida em São Bernardo do Campo, dia 28, quando haverá outra pré-estreia. Mas nem isso está certo ainda. Assessores dizem que Lula avalia a possibilidade de assistir à película somente com a família, em casa.
Fonte: O Popular